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Poesia de Ana Cristina César

  • Lucas Fernando Amorim
  • 20 de abr. de 2016
  • 1 min de leitura

protuberância

Este sorriso que muitos chamam de boca

É antes um chafariz, uma coisa louca

Sou amativa antes de tudo

embora o mundo me condene

Devo falar em nariz (as pontas rimam por dentro)

Se nos determos amanhã

Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando

Quem me emprestar seu peito na madrugada

E me consolar, talvez tal vez me ensine um assobio

Não sei se me querem, escondo-me sem impasses

E repitamos a amadora sou,

armadora decerto atrás das portas

Não abro para ninguém, e se a pena é lépida, nada me detém

É sem dúvida inútil o chuvisco de meus olhos

O círculo se abre em circunferências concêntricas que se

[fecham sobre si mesmas

No ano 2001 terei (2001-1952=) 49 anos e serei uma rainha

rainha de quem, quê, não importa

E se eu morrer antes disso

Não verei a lua mais de perto

Talvez me irrite pisar no impisável

e a morte deve ser muito mais gostosa

recheada com marchemélou

Uma lâmpada queimada me contempla

Eu dentro do templo chuto o tempo

Um palavra me delineia

VORAZ

E em breve a sombra se dilui,

Se perde o anjo.

(Ana Cristina César. Setembro/1968)

 
 
 

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