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Sarau na Rede

Nesse post, reunimos poesias de vários seguidores da nossa página.

As poesias foram enviadas por comentários de nossa Page no Facebook e estão compondo esse post em nosso site formando a primeira edição do nosso Sarau na Rede. Leia, se alimente e compartilhe!

De: Hugo Brandão


Parece estranho falar Parece estranho sentir Parece estranho viver E não ser real aqui Parece que ontem eu nasci Cresci Corri sem rumo Até ficar distante da minha liberdade Até não lembrar ao certo Quem eu sou de verdade. Parece estranho Totalmente estranho Saber que a minha maior saudade É de algo que eu nunca tive Que nunca fez parte Da minha realidade E chorar por isso dói Dói por saber que esse vazio Nunca vai embora E bom… Todo mundo sempre vai. Parece inconveniente Querer ser uma pessoa diferente Tentar mudar o mundo Fazer felicidade lei. Parece sozinho Tão sozinho Andar pelas ruas De mãos dadas com alguém E não ser ninguém. Aparenta ser tão aleatório Amar o espontâneo Gostar da chuva E apreciar a ferida aberta Que o tempo nos fez Em que o tempo nos expõe. Salas de espera lotadas Mesas para dois vazias Parece contraditório A doença ser maior que o amor E bom… Todo mundo aceita. Superficial acreditar no futuro melhor Se tudo sempre piora Crescer é a maior prova De que a tal força do universo Só devora O que há de bom em cada um de nós E se mantém viva dessa forma Observando o massacre Á corrida interminável A luta constante por vontade E bom… Todo mundo morre no final Crendo Pra fazer todo o vazio Ter enfim o mínimo sentido Pra sentir a paz que a rotina roubou Pra diminuir a culpa Por não ter tempo pra ser Feliz.

 

De: Sarah L. Espinhara


"Entre prédios de pinturas velhas, Entre becos e vielas e o cheiro de urina, pelas ruas de asfalto gasto e pontes sob rios sujos, Recife das lutas e dos risos. Eu vivo poesia e ela vive em mim. Pelas ruas do recife num Rio Doce/ Princesa Isabel escrevo da janela do ônibus, enquanto as luzes ofuscam o céu a dor da cidade se transforma em letras no meu papel, e eu as cultivo como sementes a florescer com a esperança de que entre todo esse ódio, eu possa semear amor. A poesia me é mais útil que a paz, dá-me coragem e vida e forças, enquanto a paz deixa-me vazia e preguiçosa. Essas letras, sejam doces ou podres, faz-me ser além de passageira, poeta E ser poesia faz-me ser eterna, entre tudo o que me sufoca, a poesia é meu balão de oxigênio, que me resgata de meu último suspiro e dá-me folego eterno para que além da asma eu possa respirar que além da vida, eu possa sonhar. Sonhos de concreto e tinta, cheios de utopia, transbordando o caos que me preenche o vazio. Somos Infinitos!"

 

Poema: Determinação De: Marília Cunha Melo

Deixe que o dia lhe abrace Numa manhã qualquer, Para que possas retirar da boca O que ficou das noites passadas Onde uma palavra indigesta Ficou sem explicação. Nunca desista de recuperar O passado no presente E o futuro Nos dias que virão.

 

Autoria: Philipe França

A poesia é farmacêutica medicamentosa traja preta as zaveças ou nada disso e tudo isso junto Pra doido pra doida Pros dois ou Nenhum dos dois Poesia é o xarope que cura tudo a cerveja preta que tira hematoma até da alma é o lambedor de beterraba de vovó o doce de tamarindo e o tamarindo azedo mesmo É a saudade do tempo que a gente não se preocupava em escrever o que sentia Poesia pra mim é aquela quentura que me dá quando eu beijo os beicinho dela É aquele sentimento que a gente quer botar no papel e não consegue nem com a gota porque a gente só sente Mas mesmo assim a gente tenta e tenta e tenta de novo botar pra fora mas a gente só sente e se frustra e se alegra e desiste depois volta pra terminar a poesia. "

 

Poema: "Mas é tarde"

De: Aliandra Alves mas é tarde e os acéfalos criam relógios sem ponteiros que marcam os sinais de tempos descartáveis mas é tarde e os papéis higiênicos sofrem a queda de valores sem propósito vão ser rascunho de uma impossível poesia mas é tarde e os crustáceos cansados de ser artrópodes decidem ser artrose mas é tarde para trocar de ares e perceber que os ventos não sopram ao nosso favor e cedo demais para as grades do peito perceberem que é tarde demais

 

Poema: Tarde Fria

De: Keyse Pimentel Uma tarde fria, chuva caindo sem parar, Cheirinho de terra molhada no ar, Duas taças de vinho pra esquentar, Quem sabe assim eu consiga aliviar. Não! Isso não é suficiente, Coloca uma musica pra gente, Vamos dançar loucamente Ate as pernas tremerem Vem, me abraça forte Me lembra o quanto é lindo As flores, o ar, o mar e o amor Me faz esquecer toda essa dor.

 

De: +Fé,lipe

Nos bares Os olhares são gritos Entre mascaramentos e nudez... As mesas São ilhas De almas desesperadas Pra sentir Entre copos e corpos Segue a comédia desumana Que afoga em goles Seus anseios No seio do desespero E do desamparo Consumo De seres Travestindo emoções Hey! Pede ao garçom Tua vontade de viver Quem sabe, talvez Ele anote teu pedido E te faça Uma cortesia da casa.

 

De: Lucas Torres

Os versos estão em falta Não encontro palavras Há muitos começos Ainda sem fim Mas, todavia Para qualquer final Minhas palavras Meus escritos que sucateam meu âmago Não buscam mais teus caminhos Há fins (À fim) De buscar (Que buscam) Outra forma de caminhar Algo que valha a escrita Busquei outra sina Validei antigas rimas Reescrevi as mesmas palavras Busquei outras formas Retornei à aurora Carregava uma garrafa de vinho Havia perdido a hora Não havia mais necessidade de demora Pergunto as horas Vejo que passam das 22:00 horas Debruço-me no meio-fio Externo minhas mágoas Apresento minhas decepções Conto das novas paixões Refaço as pazes com minha solidão Levanto, sacudo minhas roupas O homem que estava a espiar Meus contos ao chão Me pergunta: - e o que há com a paixão? Eu o respondo: - não passo de seu peão Por um momento sinto a cidade parar Perco um pouco do ar E tudo volta a funcionar E com um sorriso partido Volto ao homem e digo: - é, já sou o seu peão.

 

Poema: FOTOgrafia De: Cecília Villanova

Quando enfim, findar-me o dia não me transformarei em pó; decompor-me-ei em palavras, sons nas mais variadas fontes manuscritas, digitadas Estarei viva nos olhos de quem lê, na língua dos que soletram-me e nos sinais gráficos que agora decifras. Eu sou o poema que agora lês, a curvatura das letras, as reticências... O ponto final.

 

Poema: Chá de sumiço De: Rafael Cabral Agonia desgraçada Essa da gente. Pior que insônia arrastada Ou dor de dente. Você vem, Eu vou E nada de encontro. Na hora que eu quero vírgula Você me vem com ponto. Pronto, Tudo desfeito. A dor que você alega Vem da cabeça, Não do peito. E não tem dipirona, Lexotan, Ou chá de boldo Que resolva isso. A dor da gente, Mulher, Só se resolve Com chá de sumiço.

 

Poema: Oração dos tempos difíceis De: Mariana Ramos

Que nos seja permitido abraçar Em público, em silêncio, no barulho, na paz Ou encontrar a tal paz Que nos seja permitido falar “eu te amo” sem contrato Que o amor seja o contrato Quebrem-se as cadeias do ciúme, do pronome possessivo Do egoísmo Que a confiança brote em nós como o amor que um dia brotou Que a conquista seja diária e o aprendizado também Sejamos amigos, unidos, presentes, atentos, somente Atentos à dor, à angústia que passa do lado e dentro Que sejamos o resgate dos sorrisos sinceros Nos momentos incertos, o abraço apertado Em nome dos aflitos, dos que amam, dos quem sorriem e dos que choram Em nome do maior remédio Amem! (Amém)

 

Poema: Só por ser negro. De: Joy Thamires

Para! Para! Para! Virei suspeito Só por ser negro, Não falei nada, Só estava na rua na hora errada. Me colocou no carro da morte, Mas antes me bateu, Só assim para eles se sentir melhor. Bateu, bateu, bateu, Sem dó e nem piedade. Sou ladrão, por ser negão, Realidade idiota e racista. Lembrei da minha mãe me pedindo Para tomar cuidado, Por que meu pai foi assinado Por ser negro e favelado, Será que também vou ser? Fiz tudo como o sistema pediu, Estudei, me formei, Não roubei, e nem matei Agora sou suspeito apenas por ser negro. Não sei qual vai ser o fim, Mas estou com medo de morrer Sem me defender, Mas se eu falar que sou formado, advogado, O que vai acontecer? Já imaginou eles descobrir que preto sabe ler e escrever? Mesmo eles sabendo de tudo isso, Ainda sou suspeito só por ser negro.

 

Poema: Xêro

De: Rafaela Maria Quero dar-te um xêro No teu cangote Corpo inteiro Para, enfim, sentir o que de mais perfumado tem Sua felicidade Harmonia Ou se é mais uma alma fedida Pelo qual teimei E me encantei.

 

Poema: Resisti e ação de viver De Tatyana Maia

Não eu não tenho poesia Não há verso se quer a palavra trava Diante do colapso Assassinaram o senador O deputado O candidato Imagine eu, preto, favelado os nervos tremem Desigualdade , fome, opressão, inflação .... Paralisação, greve, ocupação, Ato , rua, revolução Eu só tenho a foice O machado As palavras de ordem E ideais não comprados Pra matar minha fome Afronte (a minha fronte) Resistência pra mim? Não é escolha, nen nome Não foi algo desejado Foi imposto Cobrado E cada centavo De luta que eu pago E Pra existir.

 

De: Marília Rodrigues "Põe um Biquíni

Vai à praia

Sem shorte sem camisa

Sem canga sem nadaSó de biquíni

Mostra teu corpo

Tuas curvas tuas linhas

Mostra teus poemas

Desenhado nas pernas

Mostra tua história

Nas cicatrizes da tua pele

Mostra tua humanidade

Nos pelos da tua carne

E daí se tens estrias?

E daí de tua barriga linda

Encosta no joelho quando sentas?

Esquece tudo o que te ensinaram

Esquece tudo o que acham que é certo

Revê tua beleza no espelho

Se olha nua

Se ama nua

Sem roupas sem capas

Sem máscaras

Vai à praia

Vai sentir as ondas suaves no teu corpo

Vai sentir o sol esquentando

A pele e o coração

Com aquele calorzinho de amor próprio

Te enxerga com a beleza que tens

Com o corpo que tens

Com a poesia que tens

Com tua bagagem escrita no corpo

Nos cabelos

Nas linhas do teu rosto

No teu sorriso

Aquele brilho nos olhos de quem se vê

De quem sabe o poder que tem

Vai à praia

Com Biquíni

Sem roupão

Sem vergonha

Sem tristeza

Sem mais nada

Só amor.

 

Poema: Padronizada

De: Débora Aguiar

Somos programadas

Para sermos perfeitas

Estigmatizadas o padrão sempre seguir

Nos dizem o que comer

E até o que vestir

Unhas feitas

Pele limpa e clara

Cabelo comportado

O perfume mais caro

Pelos raspados

Menina de boa família

A fama deve ser intacta

Passa, lava e cozinha

Mãe, esposa disposta e bem prendada

Fizeram de mim o que quiseram

Fugi e fui recriada

Prazer, hoje sou a moça falada!

Aquela que transou antes de casar

A que foi a primeira a engravidar

A que aprendeu a amar o corpo

E hoje ama se tocar

Sou eu a que beijou a amiguinha na escola,

gostou e que continua a beijar

Eu sou a que mostra o peito e a bunda

A que toma todas e sobe na mesa do bar

Sou eu dona das minhas vontades

A gorda empoderada que não vai pra sua opinião ligar

Eu sou a julgada pela igreja

A que não quer ser apresentada aos seus pais

A mãe da filha sem pai A mãe da filha da puta

A destruidora de lar Sou eu Joana, Ana, Geni ou Débora Aguiar.

 

De: Flower Moon

Se eu pudesse me apagar dessa história Me escreveria ali, bem longe. Mas é aqui, é aqui, que me lasco. Procurando abrigo no teu abraço, sentido teu cheiro impregnado em minha pele. Aaaah desgraçado! O que fazer, pra desatar esse laço? Aonde vou me perder, se em cada canto de mim eu te acho? Qualquer lugar é parcial, dependendo da vontade. Se toda essa ironia servisse pra alguma coisa, tu silenciaria meu pensamento Dizendo-me aonde vou calar tua boca entre minhas pernas. A vontade que dar é de rasgar a tua cara. Seria até engraçado, se eu não estivesse desejando gozar nela.

 

Poema: Vilão do teu sentido

De: Felipe Alexandre

Toma este assalto de presente e em troca regala meu destempero condiz com o ensaio tão derradeiro consome esta véspera ainda quente Não se engane não quero o dinheiro das compras que fazem eu as evito eu quero o olhar o susto e o grito excretar teu teatro mais verdadeiro Eu cidadão honrado tu vê bandido eu tão firme padrão tu vê excluído Eu sem sal, sangue só desejo estopo e salto Tu represa incerteza rebenta mar choro tu presente perder eu vitoria vindouro Eu por ti, sou algum outro, eis que tu plateia meu espetáculo!

 

Poema: Vintage

De: Gomes A felicidade é hoje Nunca ontem Nunca antes E os sucessos Do passado O que são? I r r e l e v a n t e s Fervilhante, turva, breve Feito nota Dissonante A felicidade é hoje Nunca ontem Nunca antes

 

Poema: Reflexos

De: Kessia Maria Reflexos de destinos desconhecidos, aproximam caminhos distantes, luzes apagadas de lâmpadas queimadas, acendem a vontade de ver você Lua Sol Via láctea Vênus e Marte Viajantes sem rumo, remando para o apogeu galaxial da natureza real.

 

De: Geane Martins

Para você Posso escrever Mil poesias, Canções bonitas Rimas, Versos Romances Posso reinventar nosso passado Criar nosso futuro Apostar nosso presente Posso dançar na chuva Dividir a batata frita As noites, A vida Posso inventar um mundo Um dia, Um mapa Um nós Posso me reinventar para ser o que te soma Posso! Se você quiser, Ser criança, adolescente, Ser tua mulher

 

De : Sousa Marques

Eu gozo. Tu gozas. Assim tu sai satisfeito Eu com a consciência em peso, Meu ser continua vazio. O satisfazer do corpo não saciou o apetite da alma.

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