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Niilismo, por André Medulla
- André Medulla
- 23 de mai. de 2016
- 1 min de leitura
Niilismo
O inferno está próximo.
Há abismos nos meus olhos
que enxergam pouco na neblina.
Os pés pesam mais,
não há passos
Caio de novo e de novo
pelos despenhadeiros que habitam
meu peito.

Caio, em gritos que ninguém ausculta
Não durmo
mesmo quando sonho dias de sol
Entristeço, e o mundo continua
do mesmo jeito.
Cobra de nós as mesmas coisas
como se não nos permitisse
ter tempo de sofrer.
Mostram-se sempre tão vivos os erros,
inquietantes e tempestuosos,
nunca sepultados.
Esse mal estar presente
devorando tudo,
vomitando as horas
como uma ressaca do viver.
Essa chuva... essa falta
que me acinzenta;
Esse deserto,
respirando um ser partido,
como um pecado diante de si mesmo.
Não existir às vezes parece mais confortável.