A desconstrução da formalidade na arte de Lucas Faustino
- Amanda Timóteo
- 17 de jun. de 2016
- 3 min de leitura
Lucas Faustino, diretamente do Cabo de Santo Agostinho – Ponte dos Carvalhos. Com 20 anos, desenhista, grafiteiro, artista plástico, tatuador, e outras especialidades artísticas, um ser bem espiritualizado. Inclusive já deixou registros seus no sarau do Controverso Urbano, marcando presença, e marca as cidades com suas artes reais e sensíveis. Eu apresento Lucas, sem muitas regras, copias, formalidades, bagunça que arruma, e arte grátis.
Confira a entrevista:

Qual é a tua ideia desde sempre com teus estilo não formal?
LF: Simplesmente Não ser formal, quando comecei com todo esse narcisismo artístico, eu "copiava" muito, fazia vários e vários desenhos de outras pessoas, esse foi um importante ponto pra que "desenvolve-se" o que chamam de identidade artística, quebrando toda essa regra de traços contínuos e perfeitos. Total desconstrução mesmo, isso se deve a conselhos de um amigo (filha de uma mãe!), o Jack Nichalls, ele entra na fase em que me envolvia com a fotografia, me ensinando toda estrutura e base da área, sempre que produzo algo, qualquer rabisco, foto e seja lá o que for lembro dele falando: "primeiro a gente conhece a regra, pra depois quebra-la", e nesse processo descobri que o "quebrar" ou não a regra, é onde nossa identidade é aplicada. E nisso levo pra tudo que faço, vivo e produzo.

Teu trabalho é muito pleno, tem muito de quem tu és, de uma forma bem explícita. Tu teve referências que te ajudaram enquanto a isso?
Total, acredito que ninguém se constrói sozinho, por mais que indireta seja a figura humana, todo o universo conspira a favor pra quem quer criar, produzir... Como disse na resposta anterior, tive e tenho sim muitas e muitas referências, tanto de artistas, pessoas, como de algo maior sobre nós. Hoje e a 20 anos moro em Ponte dos carvalhos-cabo, meus pais eram um casal de artistas e a um bom tempo não mais, dois filhos pra criar e a arte na época não compensava todo o esforço gerando pouco. Sempre convivi com a arte em algumas áreas, onde também o graffiti sempre foi muito ativo, graças a atividade da Crew Família zona sul(FZS).
Eu muito menino via e convivia com as artes nas ruas, casas e etc. Mas antes de tudo, QUERER!
Só ainda não sei se é um ajuda ou uma desconstrução como minha pessoa é. Não sei a que ponto isso pode chegar. Só seguindo pra ver.. (risos)
O que tu procura acender nas pessoas com tuas manifestações artísticas? E como tu faz isso?
Enquanto a isso, ainda sou narciso, em boa parte de minhas obras falo de meus sentimentos, exponho MINHAS frustrações, vivências e etc. alguns se identificam, outros ignoram, e outros se mobilizam a rasgar, quebrar, devolver ao lixo ou simplesmente e fortemente compartilhar, mas, sempre carrego aquela porcentagem militante dentro de mim, que me faz querer e ir às ruas, por menor que seja a atividade, colar um lambe, fazer um graffiti, uma tag, um rabisco, algo que leve ao questionamento, a dúvida, a falta ou total compreensão, fazer robôs criarem vida por segundos.
Porque começar a tatuar?
Por pressão é uma boa resposta?
Minha esposa, amigos, e pessoas da vida que viam e veem meus desenhos. E minha família sempre apoiando massa a ideia, acho que não seria diferente vindo deles, Mas principalmente por pressão de Jack, insistente, acredita mas em mim do que eu mesmo. Isso é bem engraçado, raro e bonito num amigo. No começo medo, frustrações total, hoje experimentações a cada passo, que graças a Deus tem dado certo.
Qual teu projeto artístico que mais te instigou a fazer?
Obviamente as tatuagens, e também principalmente o "ARTE GRÁTIS", uma frase dita a mim pelo Wagner Lenda, gostei do som da palavra, é uma atividade feita por muitos outros artistas em diversos lugares do mundo que é deixar arte nas ruas, pra que possam levar pra, casa sem pagar nada, caso achem. As minhas obras são feitas em boa parte em papelão, madeiras e diversas superfícies, deixadas em diversos e diversos lugares nas saídas de bicicleta, carregando uma bagagem de arte espalhando em alguns pontos, tanto no meu bairro quanto em bairros mais distantes.
Tu tem planos para próximos projetos?
"Oque vier na telha." sem planos futuros. Só de uma vida plena de paz.
Quer conhecer mais o trabalho de Lucas?
@mrlusca (pessoal)
@laemlusca (tattoos)
Abordando pessoas aleatórias, esta série foi baseada na seguinte pergunta: ''Do que você é feito?''
Aqui foi expressa em ilustrações cada uma dessas repostas. Link do projeto : http://doqueefeito.tumblr.com/